terça-feira, 18 de maio de 2010

Cortinas do Amanhã...

Depois de tanto tédio nesta cidade que nada acontece, eis que surgiu a oportunidade: sim, é verdade!Neste im de semana que passou, uma peça de teatro com temática interessante chega à província onde moro..As duas carinhas gregas - a da tragédia e a da comédia - dão o ar de sua graça,mostrando que há mais cores que a nossa vã filosofia possa imaginar(Obrigada Shakeaspeare!!).Orgulho-me de poder dizer que tem um "dedinho" meu nessa vinda para cá,não existe nada mais gratificante que fazer as pessoas pensarem...

A história começa com o ator sentado, contando a história de um homem que acaba de perder sua própria mãe..não se sabe se hoje..ou ontem...Curioso isso não? Várias coisas de nossa vida as quais julgamos extremamente importantes acabam simplesmente "fugindo" de nossa memória..Será mesmo uma fuga?Aqui vai um trecinho de uma mensagem a qual recebi de um amigo, aliás, anda sumido faz um bom tempo:"Há dias em que me busco e não me acho, faz dias que não "me vejo"..Às vezes bate um medo de enfrentar quem realmente somos e o que de fato pensamos..Somos complicados por natureza (por isso existem os psicólogos, graças à Deus!).

Ao longo das falas, percebo que o narrador parece não só contar, mas fazer parte da história - que feliz "coincidência", não acham? Já que cá estou, contando uma "história", a minha mesmo, é realmente algo deveras curioso..Oferecem-no uma xícara de café e um cigarro em um momento triste, ele aceita, de bom grado...Pelas regras de etiqueta com as quais somos obrigados á conviver desde a mais tenra idade, não deveria aceitar..Conforme o tempo passa, a sociedade nos impõe que devemos ser educados - ou deveria dizer, hipócritas?- polidos, mesmo que isso nos custe a própria sinceridade, honestidade de nossos atos, sentimentos, ideias..Escondei-vos, usai as máscaras da dissimulação- nossa parecem mais aqueles discuros de pelo menos, uns quinhentos anos atrás, coisas de quem usa o tempo..ou será que ele quem nos usa?

Uma das passagens que mais me impressionou, tanto que cheguei à repeti-la enquanto o ator falava:" Posso não saber das coisas que me interessam..Mas com certeza sei muito bem das que NÃO me interessam"..Achei que aquilo tudo tivesse saído da minha cabeça; mas não..Tudo parecia se encaixar perfeitamente com a minha realidade e posso dizer até que com muitas pessoas que conheço..e até que não conheço...Lá se vão anos desde que cheguei à conclusão de que sei exatamente do que NÃO gosto,mas as que gosto acabam por gerar dúvidas, questionamentos..parecem infindáveis, muitas vezes..É claramente perceptível através da quantidade de pontos de interrogação e reticências presentes, coisas de quem vive a se indagar o que realmente é importante, imprescindível, inadiável- nossa, quantos "is" não é mesmo?!

A indecisão é peça chave da personalidade do personagem..Não sabe se quer viajar, se gostaria de mudar de país ou quem sabe até mudar de vida..Determinado momento, escutei a seguinte frase:"Devagar, acostuma-se à tudo na vida"..Confesso que discordo.Talvez porque o personagem, nas palavras do filósofo alemão Nietzsche, já esteja na fase de "criança", a qual se aceita tudo, simplesmente, é realidade, é a própria natureza..Enquanto eu, na "fase do Leão", a qual tudo se contesta, na qual o jogo do tabuleiro sempre pode ser virado, revirado à nosso favor,seguindo tão somente a vontade premente, aquela que "grita" para ser atendida..Ah, quase ia me esquecendo: Em um momento, o homem solta toda a sua raiva.. e depois parece tranquilizar-se..Quando temos algo a dizer,no instante em que nos desprendemos das amarras da hipocrisia, o peso, antes de 30 toneladas,neste momento, torna-se a mais leve das plumas...Eu garanto..

Abraços à todos!

2 comentários:

Christine disse...

BRAVO! BRAVO! LUDMILA! ALEM DE LINDA! AMA O TEATRO! PARABENS! DOCES BEIJOS

Ludmila M. disse...

Obrigada Christine!!Gostaria de saber onde tiveste acesso ao meu blog..