terça-feira, 22 de novembro de 2011

Re- construção?

Redigi essas linhas após sair de um filme que, à primeira vista, não parecia passar de um simples enredo criado para entretenimento,no dia 17 de novembro...As ideias foram surgindo e tal qual a necessidade de respirar, precisei passá-las para o papel, antes que escapassem como areia fina entre os dedos...

E eu começo essa história com uma frase que recebi hoje:"Você está exatamente onde deveria estar"...Eis que saí dos meus exercícios com o firme propósito de assistir o filme "O Palhaço", dirigido e estrelado por um dos atores mais sensíveis que conheço: Selton Mello...Entrei meio sem saber o que esperar...Sozinha, ainda meio atordoada por ter tomado atitude "tão fora da rotina"....O filme começa...Uma boia-fria trabalha sob o sol escaldante, "coincidentemente", sem saber o que esperar, sem saber como vai ser o dia de amanhã...

O enredo se baseia nos circos mambembes que costumavam circular pelas cidades Brasil afora e adentro...Dos corações das pessoas também...O show se inicia: pai e filhho retratam a figura central: palhaços, os quais fazem de um tudo para divertir a minúscula plateia que ali se encontra...Nesse momento, a minha presença naquele momento começa a fazer sentido,a ter um motivo, uma razão de ser: me vi- e me senti- como cada um dos integrantes do Circo Esperança- nome bem sugestivo, não acham?!

Benjamin começa a se questionar se é aquilo mesmo que "nasceu pra fazer": proporcionar risos alheios...Então ele se pergunta:"Mas e o meu sorriso, onde está?Eu faço os outros sorrirem,mas quem me faz sorrir?"É hora de buscar novas estradas, o seu caminho, meu caro amigo...Por que me senti tão parte daquela cena quanto meu doce palhaço,o "Benja"?Ou seria Pangaré?Senti-me nos dois papéis...A vida nos dá essa oportunidade, de sermos somente um e ao mesmo tempo, todos; o mundo inteiro dentro de um corpo,meio franzino, mas com o coração mais forte que poderia existir...A hora da despedida é marcada por uma mochila nas costas, algumas lágrimas com um turbilhão de saudade e dúvida...Eis a velha dúvida de sempre...Ou seria nova?

Palhaços, uma cigana "misteriosa", um anão- o meio-quilo- que poderia abraçar quantas pessoas quisesse; um casal de acrobatas, mas que na verdade, cada um deles fazia tudo, absolutamente TUDO, assim como numa família (ao menos era o que deveria ser, não acham?)...Enxerguei-me como a própria lona do Circo...Todos os dias, montamos e desmontamos planos, ideias, sentimentos e ações...Que doce "coincidência"...Acho que todos se lembram da frase mais marcante, no decorrer do périplo interno de Benjamin:"Você deve fazer o que sabe fazer"...Mas ele precisa sair, desbravar um caminho nunca dantes percorrido- diria até temido: mergulhar no fundo dos próprios sentimentos e descobrir de onde vem sua história e de que maneira continuar a escrevê-la....
Voltar...voltar para dentro de si...Descobrir - e redescobrir- o porquê de estarmos nesse mundo,nessa época, vivendo com esse conjunto de pessoas, enfim, o porquê de ser EU...Todos nós já nos sentimos algum dia: um pouco esquisitos (o perna-de-pau), o fortão do circo,ufa!quantos caberiam mesmo?!); os melhores e mais poderosos(a cigana misteriosa, o delegado "sem noção", a mulher do "Tim"- o dono do "bar", o "russo made in Maceió- mas olha só....eu não falei que fazia parte do filme?!); os que aprendem mais um pouco todos os dias (O Benjamin, a pequenina que aprende a sorrir dos próprios percalços, Eu, você aí que está lendo...)É, isso mesmo que ouviu...O difícil- talvez confuso- é descobrir quem exatamente faz parte "do que": eu (você) faz parte do filme ou ele mesmo já existia dentro de cada um de nós?

Obrigada Selton Mello,muito obrigada por fazer de um 17 de novembro de 2011 um dos momentos mais desconcertantes da minha vida; afinal desconsertar-para mim- é contsruir de novo...Encerro com uma citação do mais querido de todos os palhaços:"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios...Por isso cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos"....Charles Chaplin...

Abraços à todos!!!