quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Conversas..

Ontem tive uma conversa interessante com um conhecido no meu trabalho..Ele me perguntou qual tinha sido o curso que me formei e qual não foi sua surpresa quando respondi: Direito.E então ele fez mais uma pergunta: e por quê não seguiu a área? E eu simplesmente disse que não gostei..Mas como algúem faz o que não gosta??Sim, é possível..A vida às vezes nos leva por caminhos que não temos respostas; na época em que me encontrava estudando,era o que achava correto, tentei-confesso nem tanto assim- me esforçar para "me enquadrar",porém logo que finalizei meus estudos, veio a noção: "eu não me encaixo nisso..pra que continuar?"

Fui seguindo por caminhos, no início, um tanto desconexos..Fiz coisas que nem imaginava que teria tal capacidade, como por exemplo, a arte de ensinar..Parece-e é sim- um clichê dizer que participar da formação intelectual de alguém é como a mais complexa das tramas de crochê, sim, aquelas que as rendeiras da minha terra realizam com tanta perfeição; e o livre-arbítrio que nos é concedido faz com que sigamos o que nos passaram.ou não.Ocorre que não poderia passar a vida inteira culpando a mim mesma por ter terminado um ciclo que nem ao menos "teve a chance" de se iniciar, tive que seguir..Perdoei à mim, ensinei um pouco do que sei àqueles que nada-ou pouco-sabem, se bem que o "tal saber" acadêmico pouco ou nada vale diante de experiências vividas...

Existe uma personalidade interessante. O nome dele? Leonardo da Vinci..Devem estar se perguntando o porquê de tal artista ter sido citado por aqui..Eu explico.Leonardo não somente um artista nato, mas físico, poeta, escritor, escultor, médico por excelência,pois foi ele quem fez os primeiros esboços do corpo humano com tamanha perfeição( lembram-se das rendeiras de crochê?)..A MonaLisa, acho que sabem de que tela estou me referindo, só é conhecida daquele jeito porquê seu criador faleceu antes de colocar um "fim" naquele belo quadro..E assim era sua vida: ele sempre buscava uma maneira de estar buscando algo novo pra fazer, inventar,buscava novas ideias, a rotina definitivamente não fazia parte de sua vida...

Curioso..Conheço alguém exatamente dessa maneira..Não existe uma resposta definitiva, exata para dizer: " gosto só disso..quero fazer só aquilo.."Algúem aí tem um palpite? Risos..Talvez o bom de tudo esteja aí: na diversidade de interesses; é isso que faz tudo mais dinâmico, divertido..A rotina sufoca qualquer espírito criativo..É como diz um verso do poeta Luis Fernando Veríssimo, o qual a cantora Ana Carolina sempre declama em seus shows:" Não deixe que a rotina sufoque..Porque embora quem quase morre esteja vivo..quem quase vive já morreu.." Interessante não acham? Eu também achei...

Abraços à todos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Lentes Invertidas...

Há alguns minutos atrás, parada em um semáforo aqui perto de casa, deparei-me com belas flores, meio cor de laranja, porém, ao tirar meus óculos escuros, os quais possuem lentes um pouco avermelhadas, percebi que as mesmas não eram exatamente da cor que havia pensado que vi, mas sim de um amarelo intenso jamais visto em outra ocasião..E pensar que isso aconteceu em uma fração de minutos, segundos eu diria até.Por diversas vezes possuimos alguma espécie de "lente invertida", até de cor invertida, como foi o meu caso..Está um pouco difícil de entender?Tudo bem, eu explico.

Em alguns momentos de nossa existência, nossos pensamentos parecem se afastar do que verdadeiramente acontece, "colocamos lentes" de diversas cores para não enxergar, propositadamente, o que está diante de nossos olhos, talvez por medo de encarar a verdade com toda a sua exatidão e até mesmo imperfeição, afinal quem disse que a verdade é sempre algo perfeito, inquebrável; ela muitas vezes machuca corações inocentes, ávidos por encontrar uma felicidade que às vezes parece tão inalcançável quanto a linha do horizonte...

E o que dizer daqueles que insistem em dizer que "enxergam" bem, se nem ao menos ver adiante do próprio umbigo conseguem?É muito fácil dizer que a vida é boa se não passamos por dificuldades, sejam elas financeiras, amorosas ou em qualquer espécie de relacionamentos e quando nos deparamos com aquele amigo ou até um desconhecido na rua que passa por dificuldades e nessas horas precisa só de alguém que tenha unica e exclusivamente a capacidade de ouvir..É, acho que estamos na era do "gritar para ser ouvido" que oferecer nossos ouvidos e alma para quem realmente esteja precisando desse apoio; afinal, não há tempo, tudo é muito fluido, rápido...Tempo é dinheiro..Passam-se os anos e essa máxima insiste em perdurar..

E assim, os "bons da vista" continuam suas buscas por algo que talvez nunca encontrem em si mesmos: a paz de espírito daqueles que tem a certeza de que um dia, foram de fato úteis para alguém; ou até para eles mesmos, pois muitas vezes, a auto-suficiência é tão exacerbada que basta a nossa própria sensação de bem-estar para que tudo esteja em seu devido lugar..

Soa até um pouco repetitivo eu me reportar às cores que nos rodeiam, mas o que fazer quando é o que vemos em nosso cotidiano: cores e mais cores; cores de amizades, cores de lentes que dão a ligeira impressão de estarem talvez um pouco "invertidas", deturpadas pela cegueira contínua que o dia-a-dia apressado nos traz.Respirem fundo e pensem: que tal sair por aí sem os tais óculos de "lentes invertidas" e trocá-los por uma boa máquina fotográfica, de preferência com um zoom poderoso, capaz de nos fazer enxergar, ver mesmo, o que de fato nos rodeia e melhor, fazer algo para mudar o que porventura esteja nos desagradando?Eu já comecei, vou sair por aí...Com uma máquina na mão e meus olhos de lince....Bendito seja aquele que inventou a fotografia...

Abraços a todos!