domingo, 24 de julho de 2011

Você sabe dizer não?

Você sabe dizer não?Parece uma pergunta boba,daquelas que se faz para uma criança, quando s primeiras palavras e -coincidentemente- a que elas mais gostam de pronunciar,mas também a que menos gostam de ouvir: não...Porém é através dessa constante negativa que começa a nossa história de hoje...Nos primeiros anos de vida, ouvíamos quase sempre a frase de nossos pais:"não, vc não pode; não, é perigoso"..Bons tempos aqueles nos quais éramos protegidos pela placidez de um não, mais do que sensato...

É meus caros, os tempos mudaram...Hoje tem tanta definição para um simples desejo não correspondido: depressão, estresse pós-traumático, bullying, transtorno bipolar; quando para mim, o que faltou na criação dos jovens das últimas duas décadas foi escutar e refletir mais sobre o que se quer, se não se trata de simples "capricho" de alguém mimado em demasia..Escutem essa pequena história:

-"Mãe, sabe aquela última coleção de bonecos que todos os meus colegas de escola já tem?Eu também quero, senão só eu vou ficar de fora na brincadeira..Por favor mãe!

E a mãe responde:
-"Mas meu filho, eu já te dei um presente mês passado; esse mês tenho muita conta para pagar...Onde está o dinheiro que te dei para a semana?"

E o menino então retruca:
-"Ah, mãe você é muito chata...Vou chorar até você me dar"

E no final:
-"Tá bem meu filho, não precisa chorar, amanhã vou te dar esse boneco que você tanto quer".

E assim surgiram Susanes, Mateus , Lindenbergues e mais outra centena de jovens que, um dia, tiveram seu desejo negado, como Wellington Menezes de Oliveira, no conhecido "Massacre de Realengo", quando 11 crianças morreram porque o ex-aluno da Escola Tasso da Silveira decidiu que era hora de fazê-los "pagar" por ter sido maltratado enquanto tinha sido aluno..."Pobre menino caprichoso"...Entregar tudo "de mão beijada": é assim que evitamos que nossos filhos sofram,sejam menos felizes?

Não, ainda não tenho filhos...Mas no dia que os tiver, ensinarei que nem sempre teremos todos os nossos desejos prontamente atendidos, que existe dor, frustração e sofrimento.Pais tem a mania de achar que seus frutos vão estar no conforto e segurança do ventre materno para sempre.Podem passar gerações e mais gerações, as relações humanas podem estar em constante mutação- nem sempre para melhor- mas o instinto de proteção, de querer o bem-estar e felicidade dos mesmos continuará...

Quer dizer não? Fale, mas imponha a convicção necessária para que seu filho compreenda que sua vontade não pode ser atendida naquele instante, mas que se deve utilizar o próprio esforço para conseguir seu intento e assim, num futuro próximo, valorizar mais as conquistas realizadas naquilo que começou através de um primeiro passo dele mesmo...Melhor negar um presente hoje que garantir um futuro de incertezas..não é mesmo?!

Abraços à todos!!!

7 comentários:

Richard Abreu disse...

É isso, acho que frustrações fazem parte da vida e todos nós temos que vivenciá-las, afim de crescermos saudáveis, experimentando o que a vida é de fato mesmo. Mas o "não" não é solução para tudo. O sim, as vezes, é importante. O necessário é ter coerência, bom senso e estar atento a vida!

Zelia Leite disse...

Oi Ludmila bom dia!
Lindo texto e lindo blog.
Boa semana pra vc. Beijos

Vilmar Barros de Oliveira disse...

Oi Ludmila,
Belo texto, coerente e verdadeiro.
Precisamos mesmo aprender a dizer não
para algumas coisas
Boa semana pra vc
beijo

Jutilandia Ferreira disse...

oLA! visitei seu blog, vi que tem muita sensibilidade...pelos seus post...gostaria de lhe convidar para participar do meu blog e também divulgar ou participar do PROJETO SINTONIA.

http://jutilandia-terapeuta.blogspot.com/

Enigmático Byjotan disse...

Definitivamente minha geração se preocupou tanto em ser bom filho que e se esqueceu que um dia também seria pai.Pais egocêntricos geram filhos desequilibrados e abandonados da realidade da vida.Um Abraço! Bom texto...By jotan.

Nelson Soares disse...

concordo com a sua visão e pedagogia embora me entristeça que muito boa gente passará pelas suas linhas na diagonal, apontará o facto de não ter filhos como fatal para o descrédito da sua argumentação.. Reações que, em o muitos casos, deveriam ser precisamente as opostas... 'são as más experiências que nos dão carácter' disse-se...

Ludmila M. disse...

Obrigada por todas as palavras tão carinhosas e de tanto incentivo...Zelia, obrigada querida, apareça sempre!!bjos a todos!!